dia 2 de maio me encontrei em um estúdio na rua teodoro sampaio, indo ver o show comemorativo do cantor ultraluna.
"amanhã serei todos nós, com todos os nós"
as emoções são elaboradas mas nunca expandidas ao nível de preencher uma arena. são ~20 pessoas numa sala ouvindo melodias e arranjos cortantes e diretos.
"se um dia eu cantei que nunca acreditei,
prefiro não saber a me arrepender"
ouvir um oeuvre de 10 anos de músicas da maneira como elas provavelmente surgiram, o ultraluna sozinho e um violão, me fez pensar muito sobre o que é ser artista no brasil e no mundo atual. as composições dele me lembraram nando reis, me impactam da mesma maneira. a gente tem um nando reis contemporâneo? por que que temos a luisa sonza?
a opção para quem não tem interesse em ser um empreendedor de um pequeno negócio, ou uma engrenagem marketável numa gravadora megalomaníaca, tem uma escala muito pequena: ir compondo no seu quarto de maneira honesta, singela e genuína, e compartilhar de maneiras pequenas com poucas pessoas. e um show de 10 anos não precisa de uma explosão para mostrar essa trajetória: é muito evidente que é alguém que toca violão e canta faz um bom tempo, e que entende seus instrumentos com muita intimidade.
ir para um show pequeno me faz pensar que isso é ainda mais valioso. se o ponto da música é conectar pessoas com emoções e pensamentos, esses shows me mostram um caminho de fazer isso que nunca pensei possível. é extremamente gratificante ver um show sem os artifícios de perfeição e milagres performáticos que cresci idolatrando, afinal, sou gay e amo minhas divas e consumo k-pop ainda por cima.
minha experiência sendo músico independente é um eterno desequilíbrio. eu só tinha tempo se não trabalhava muito, mas só tinha dinheiro se trabalhava bastante. já recebi contato de gravadoras pedindo uns 3000 reais para produção e marketing de um single: na época eu ganhava em torno de 1900. então eu reduzo a escala, compro uma mesa de som da shopee, pirateio alguns softwares, aprendo a fazer as coisas sozinho e chamo de estética... no final, eu só quero me conectar com outras pessoas. eu controlo o som pra chegar até seu cérebro e seu coração, da maneira que não consigo só com palavras. acho que é o ponto de fazer arte, não?
agradeço ao ultraluna por ter organizado esse show, e espero chegar em mais músicos independentes para dizer que seu show de 20 pessoas importa mais do que você imagina. foi lindo relembrar da magia de ser humano e se conectar com um ao outro.
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adoraria saber oq vc pensa :3