segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

s.coups e mingyu reafirmam sua heterossexualidade com a difícil Pretty Woman

    life update: eu mudei de emprego. na real eu só fui de uma varejista de roupas para outra, mas além de ter uma gestão minimamente responsável, rotina previsível e um salário melhor, a minha maior mudança foi a playlist a qual eu ia ser submetido todo dia. bom, imagine minha surpresa quando a música que começou a tocar foi Essa:
 
 
 
     o total whiplash emocional que eu tive. o carinho de ouvir vozes familiares em um momento de transição da minha vida, seguido pela realização de "caralho, essa música é MUITO ruim... e eu vou ter que ouvir ela todo dia..."
 
    agora, sinto que qualquer música que toca no meu trabalho tem a possibilidade de me deixar cego de ódio. para contexto, eu estava trabalhando na H&M, e a playlist deles consiste de pop alternativo babadeiro, eletrônico babadeiro, e MPB inconsistente de artistas desconhecidos pois #brasil. eu tive o desprazer de ouvir uma música do giovani cidreira trabalhando lá, e me dói saber que um projeto com um propósito interessante me transporta para araras cheias de roupas em uma loja enorme lotada. quando fui ouvir algumas músicas dele por recomendação do meu namorado, eu cliquei nessa por ser a primeira do álbum mais recente. minha reação escutando a música na frente dele foi comparável a ser transportado a um cenário de guerra provavelmente.
 
    felizmente, em meu emprego novo eu não tenho esse problema, pois além de ser um espaço de trabalho mais saudável, as músicas são bem piores.
 
    pretty woman me atinge todo dia e só me provoca um grunhido de raiva. a letra é pra lá de preguiçosa, e faz parte do grupo de músicas da loja que me faz pensar "talvez a única emoção aceitável pra homens expressarem no pop mainstream seja tesão". a maneira que a música original é incorporada genuinamente me faz querer vomitar, especialmente os "pretty" jogados por ai, e os gritos de "pretty woman!". tanto em tema quanto em decisões estéticas, parece música feita pra convencer as pessoas de que você sente atração por mulheres mais do que expressar atração por elas.
 
    eu não esperava nem dizer isso, mas a música original é muito boa e agradável. os acordes são fofos, o tema é expresso de maneira singela, e eu me sinto tão perturbado de pensar que eles atualizaram a música por escrever "yeah she on fire, so spicy 5 4 3." eles nem terminam de contar. como já dizia caroline easom: the line... it grates.
 
    apesar de não ser a performance vocal maaaais agradável do mundo, e de longe a pior considerando que tenho que ouvir o jin e jimin esganiçados todo dia, também é uma Escolha colocar dois rappers para cantar uma música que definitivamente poderia ter sido transposta mais baixo. o k-pop, principalmente a HYBE, precisam entender que nem todo mundo é um tenor e as músicas do TXT, por exemplo, estão inaudíveis pois todos eles estão forçando muito. não que love language seja lá essas coisas.
 
     acho que a parte mais triste da música inteira, além do AAVE chulo que eu já espero de músicas coreanas em inglês, é o verso da lay banks que tem tudo para arrasar, não entrega quase nada, e ainda assim é a melhor parte da música. pelo momento do verso dela, é o respiro que tenho até ter minha cabeça enfiada em um balde de chopp barato novamente pelo resto da música.
 
    eu gosto do flow dela, mas tudo no verso parece meio inconsistente, sem esquemas de rimas amarrados e nem ideias ritmicas claras sendo exploradas. de qualquer jeito eu respeito o grind e apoio ela fazer um verso de 0 esforço para tirar dinheiro de quem realmente decide preencher o espaço sonoro com ISSO. e tirar dinheiro de empresas que usam essa pra fins comerciais, claro. 
 
    pelo menos a H&M estava dando dinheiro para artistas nacionais fazendo algo de interessante, mesmo que ficasse irritante para mim. dar dinheiro pra pop de homem hétero com interpolações preguiçosas de músicas melhores, em outra mão, deveria ser crime.
 
esse é o primeiro post no que deve virar uma série onde eu descasco músicas ridículas que tive que ouvir trabalhando em varejo de roupas, especialmente o meu trabalho atual onde toca bastante k-pop. o puro ódio e exaustão que sinto por essas músicas vai sozinho reviver a blogosfera brasileiros falando sobre pop asiático, TRUST and believe.
 

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