isso vai ser parte um rant e parte um review bem fluxo de consciência sobre a mais nova blackpink a lançar um álbum de estúdio solo: lalisa manoban
| capa de Alter Ego (2025) |
pré-começo
a ideia das blackpinks lançarem álbuns fora do sistema de kpop e o olho fedido da YG me animou muito, visto que elas tem o dinheiro, influência, e fandom pra fazerem o que elas bem querem pela primeira vez na carreiras. a única coisa que impediria elas de fazerem algo mais doido seria o próprio medo delas, mas todas parecem bem contentes com os caminhos que estão levando.
agora: eu preciso admitir que não ouvi o álbum da rosé ainda e ele provavelmente é imune ao o que vou reclamar do Alter Ego, mas vamos chegar nas minhas conclusões reais sobre o controle criativo inédito de todas elas depois! por agora quero comentar da minha experiência com o roll out que a lisa fez.
começo
rockstar me animou até que bastante pra uma música relativamente básica. pensei no que ela queria dizer e estabelecer com esse primeiro single: sua nacionalidade, sua influência como pop star global, e suas referências sonoras como ouvinte de música, e não só uma performer. parte de fazer música envolve amar abertamente outras músicas e incorporar mil outras pessoas em você mesmo, pois afinal nossa voz artística é as coisas que nós amamos expressadas da nossa maneira. então a sample de tame impala, o cameo de ícones trans na tailândia (um país que esquivou colonização e parece aceitar bem a comunidade), a estética futurista e a cinematografia fodíssima fez um grande impacto para mim!
logo depois, ela lançou new woman com a rosalía, e eu fiquei ainda mais animado. eu genuinamente acho o clipe lindo apesar de meio vazio, e provavelmente meu clipe favorito do dave meyers que tem uns toletes na videografia. o verso da rosalía tem uma mudança do tempo de 4/4 pra 12/8, e usa um ritmo comum em flamenco, que nem em Bulerías. esse tipo de atenção ao detalhe e referência cultural me animou TANTO e me deixou em uma êxtase de pensar... será que a cantora money tinha muito mais visão criativa e musicalidade a explorar agora? será que eu ia achar uma nova diva pop pra beijar os pés? as partes viadas do meu cérebro estavam ativadíssimas.
e daí ela lançou moonlit floor que eu achei morna mas mostra mais referências dela com a interpolação de kiss me do sixpence none the richer, a música mais taylor swift debut que a taylor nunca escreveu. ela estar apaixonada por um milionário francês (situação assustadora) e referenciar os rumores disso de maneira direta foi bem surpreendente mas nesse ponto eu tinha outras coisas melhores pra ouvir, e ignorei.
e recentemente, ela lançou born again com a raye (mãe) e a doja cat (irmã). e eu realmente não consegui engolir muito essa música pela simples razão de que ela requer baita gogó, algo que a lisa nunca teve. for crying out loud, alguns tiktoks indicam que a raye que escreveu a música e topou fazer com a lisa, e depois a doja adicionou um verso gostoso ali. eu fiquei bem surpreso com quão bonita a voz da lisa é em new woman, mas ela está longe de ser uma baita vocalista que sustenta essa melodia insatisfatória e imemorável do refrão (perdão raye, ainda te amo)
meio
afinal o álbum saiu dia 28, e eu fiz meu dever como viado ex-kpopper atual músico + fã obsessivo de mulheres e baixei o álbum para ouvir lendo as letras. e me deparei com um pouco de confusão visto que tem duas versões do álbum, uma com vários feats e outro sem tantos, inclusive sem born again! o que muda muito o fluxo das coisas visto que ela é a primeira faixa na versão bonus. foi essa a versão que ouvi pois estava curioso de ver as músicas com a tyla e megan THEE stallion.
para melhor ou pior, o que eu me deparei foi um álbum bem... direto. ela comentou em hot ones sobre diferentes personas que ela criou para esse álbum, o que é uma visão muito interessante tal qual i am... sasha fierce, mas a divisão entre elas não fica clara dentro do projeto. ouvindo ele de cabeça a rabo, o álbum pinta a lisa como uma mulher muito rica que faz o que quer e ostenta bastante, e em duas músicas também uma simples lover girl. lendo o site dela lisaintroduces.com, sinto que não existe tanta diferença assim entre os estilos musicais que ela sentiu a necessidade de criar egos diferentes para explorar.
musicalmente, realmente o momento mais interessante é o verso da rosalía em 12/8 e os sintetizadores em chill, cortesia do tropkillaz, que levam a música direto pros anos 00. estranhamente, com a falta de clareza dos alter egos e a falta de uma perspectiva unificadora em tudo, eu me senti ouvindo músicas da rihanna. mas não os hits icônicos e nem um álbum especifico dela, mas sim músicas aleatórias mais esquecíveis da camaleônica discografia dela enfiadas em um só álbum.
final
em curto, foi meio desapontador ouvir o álbum da lisa e não sentir que tinha nada de novo ali. ou melhor, tinha! o cheiro da YG está bem longe do Alter Ego, e o projeto não parece mais o som blackpink criado pelo teddy onde tudo soa quase igual mesmo quando é diferente. mas ela troca o previsível dentro da YG para o previsível dentro do mundo pop ocidental, e continua sem deixar tão grande de uma expressão quanto eu achava.
quem sabe eu fui meio bobo de esperar um motomami dela, que era bem o que eu imaginava mesmo. um álbum simultaneamente bangers e vulnerabilidade, falando das felicidades e dificuldades de ser rica, famosa e amada/odiada por muitos. o que eu recebi foi um álbum que, não lembro onde eu li isso, realmente não se preocupa em quebrar a ilusão de perfeição que idols são incentivados a manter. talvez seja até mais intenso agora, visto que dado o espaço para explorar outros temas e emoções, ela continua não o fazendo. vendo assim, é difícil dizer se ela é de fato uma nova mulher, ou se tem tanta diferença assim entre a old lisa e a old shit dela com essa new lisa. pelo menos ela pode falar fuck agora!
acho que no final das contas, essa leva de álbuns (alter ego e amortage especialmente) me diz que devo ter projetado um bom tanto no que um idol que fica tão popular dessa maneira faria. eu penso sobre o potencial de coisas a dizer, paradigmas a mudar e regras a se quebrar, criando algum impacto cultural e social real com o puro poder de vulnerabilidade, honestidade, e visão criativa. provavelmente, no fundo, elas só querem fazer o que já faziam de alguma maneira mais evoluída, ou mostrar lados performáticos novos e não tanto jogar uma luz sobre opiniões e pontos de vista pessoais. e isso tem mérito total, obviamente! e eu justamente procuro esse impacto em outras coisas agora, pois no fundo o que eu procuro não vai estar tanto em algo tão corporativo quanto k-pop, né? o mundo não é feito de chappell roans, infelizmente.
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